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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Cobertura mal-humorada do Planeta Terra

O tão aclamado festival Planeta Terra, que salvaria o ano após o mal falado Tim Festival (que, a propósito, eu gostaria de ter ido), não havia chamado minha atenção pela escalação, mas como o Indieoteca e o A festa nunca termina eram blogs embaixadores do festival, fui conferir.
O mau humor começa quando, após dois metrôs e um trem, chego atrasada, e da fila já consigo ouvir "Fireworks", do Animal Collective (processo, claro, que demorou um tempo, já que parecia que tinha uma escola de samba tocando lá dentro). Como disse aqui, a banda era a que eu mais queria ver, talvez a única.

Animal Collective: o melhor (ou pior) show que eu não vi

Correr igual uma idiota não adiantou, cheguei na parte dos shows, em frente ao Main Stage, na hora em que a Sabrina começava a anunciar o The Jesus and Mary Chain. Nunca odiei tanto a banda como nessa hora. Enquanto todos corriam para perto do palco, eu saía de lá, em vão. Mas quando o JAMC começou a tocar "Head On", a segunda música, o mau humor foi embora e fui ser feliz no meio do povo. Uma mensagem de celular (de BH) me adiantou o que confirmei a seguir: o show do Animal Collective não foi bom. Nessa hora, qualquer direção que eu olhasse tinha alguém de Belo Horizonte. Até a metade, o show dos escoceses era só motivo de felicidade, mas concluí que o que estava vendo era uma foto, e dela saía músicas ao vivo. Músicas muito bem executadas, por sinal; impecáveis. Mas no quesito emoção, a banda ficou devendo muito.

É só colocar um disco ao vivo e ficar olhando

Do Foals peguei apenas as duas últimas músicas, bem de longe. Não sabia que o show estava no fim, e acabou enquanto eu ainda estava na fila do caixa (quem disse que não tinham filas?) e tinha esperança de conferir o show de perto. Não que a banda seja imperdível, mas o show parecia ser ótimo, cheio de energia, bem o contrário do que rolava no Main Stage.

Foals batendo cabeça em volta da bateria

Hora do Offspring é hora de ir ao banheiro. Seria até legal ouvir alguns hits antigos, mas sinceramente não estava nem lembrando deles. A estrutura dos banheiros era ótima, não tinha fila, as folhas de eucalipto davam um cheiro agradável - e sobre essas folhas, é bom falar que isso não é nenhuma novidade. Se não me engano tinha no Claro q é Rock, o melhor festival que já existiu no Brasil, que além de super organizado teve um line-up de chorar.
Fui praticamente arrastada para a frente do palco do Indie Stage antes do Spoon, e agradeço por isso. Percebi que só consigo me entregar a um show quando estou lá na frente, perto da banda, podendo ver os integrantes. O show foi ótimo, para mim o melhor do festival. A banda tinha muitos fãs (incluindo Mallu Magalhães), o que deve ter sido um pouco surpreendente, ainda mais porque um dia antes eles tinham sido confundidos com o Kaiser Chiefs na porta do Milo Garage (adoro sujeito indeterminado). Lição para o próximo festival: observar fotos das bandas.
As músicas que conhecia foram ótimas ("I Turn My Camera On" e "Don't make me a target"), e as que não conhecia também, não eram aquelas que você se sente sobrando porque não sabe cantar como o resto das pessoas à sua volta, eram ótimas e empolgantes. No final, o vocalista Britt Daniels ficou arrastando a calça branca de gosto duvidoso no chão, e a banda saiu deixando no palco uma barulheira. Não posso deixar de falar do baterista, que faz coisas simples e muito legais. Acho que se o volume do teclado tivesse um pouco mais baixo, o som melhoraria, mas continua sendo o melhor show e o único do Indie Stage com o som perdoável, de onde eu vi.

Britt Daniels, muito prazer

Foi difícil sair do Indie Stage com as pessoas empurrando, loucas para ver o Breeders. Descobri as esteiras e a grama, e minhas pernas agradeceram. Quando cheguei no Bloc Party, Kele Okereke estava lembrando da nada agradável experiência anterior com o Brasil (o episódio playback no VMB), e prometendo compensar. Sabia que tinha perdido "Banquet", mas "Like eating glass" foi suficiente para animar e me lembrar dos velhos e bons tempos de Bloc Party. Ouvindo (e vendo) o resto do show, percebi que todas as músicas que não são do primeiro CD são horríveis. Nunca tinha prestado atenção nos dois últimos discos, mas parece que a banda não funciona assim. Se o show seria melhor se eles estivessem no Indie Stage eu não sei, mas que a banda está desandando, está.

Adoro o guitarrista emo do Bloc Party e sua pose dramática (do lado esquerdo)

Dessa vez correr igual retardada serviu para pegar metade de "Cannonball", a música mais óbvia do Breeders e a que eu mais queria ouvir. Lição nº 2: baixar mixtapes das bandas antes dos shows. Depois da alegria, parecia que não tinha lugar para mim naquele galpão lotado. Tinha me contentado em ficar no canto, vendo de longe, mas o som estava tão horrível e embolado que o mau humor falou mais alto e eu saí de lá sem rumo. Arrependo de não ter sido um pouco mais animada e persistente, pois pelos depoimentos, o Breeders parece ter sido um show ótimo, um dos melhores do festival.

De onde eu estava era difícil ver a gêmea magra (na foto, Kelley Deal ao centro)

O Kaiser Chiefs foi a trilha sonora para o meu tédio, enquanto esperava amigos para ir embora. Uma trilha sonora ruim, vale dizer. O que é "I predict a riot"? Parece duas músicas coladas em uma só, o refrão não se encaixa com os versos, fiquei achando que eles estavam fazendo um mash-up. É uma pena as músicas serem ruins, porque o show é muito bom. Fiquei com vontade de estar lá na frente, puxando a cueca vermelha (!) de Ricky Wilson com as outras pessoas. Acho que se eu estivesse lá, ia relevar as músicas e aproveitar o show. Para quem gosta, deve ter sido o show da vida.

"E aí, galera?"

Fomos para a saída desesperados, porque costumam ter poucos táxis, e a surpresa: não tinha nenhum! Parece que os taxistas nem estavam sabendo do evento. É algo para a produção observar, afinal, as pessoas precisam voltar para casa (ou hotel). Poderiam ter providenciado umas vans (sei que aconteceu algo do tipo, mas não foi muito divulgado), mesmo com um preço um pouco caro.

Talvez porque eu não tenha afeição especial por nenhuma banda, talvez porque eu estava mal-humorada, a questão é que achei o Planeta Terra bem mais ou menos. Morno. Se as bandas não eram mais ou menos, os shows eram. Claro que a organização está de parabéns, o local é ótimo, os ingressos eram baratos e davam acesso a todos os palcos, a divulgação muito interessante (não só pelos blogs e twitter, mas vídeos bacanas também). Eles souberam criam um hype da coisa toda. Mas o line-up não foi consistente. Sabendo que tem muita gente satisfeita (e feliz) com a escalação, considero o saldo positivo.

É bom ressaltar que o festival soube a dosagem certa de bandas do momento, bandas clássicas, bandas indie e bandas mainstream; sem apostar tudo no hype ou na nostalgia. Apostas para o próximo Planeta Terra? Eu sugiro Broken Social Scene. Acho que podemos esperar muita coisa para 2009.

O Claro q é Rock continua sendo o festival ideal. Cofrinho do Thurston Moore é muito melhor!


Créditos: todas as fotos por Letícia Souki, exceto a do Kaiser Chiefs, retirada do Terra.

Obs.: O texto foi escrito em primeira pessoa e totalmente subjetivo porque acho que ajuda a entender a minha visão e opinião dos shows. Para outras coberturas mais objetivas, e/ou com shows que não assisti, ou apenas para mais coberturas, veja os outros blogs embaixadores do festival:

A Festa Nunca Termina

Azar o seu, querida

Bloody Pop

Casa da Narcisa

Cegos, Surdos e Loucos

Chiqueiro Chique

Discoteca Kamikaze

Eu gosto de uma coisa errada

Fonte Rosa

Goma de Mascar

Indiecent Music

Lalai Loaded

Mera Doxa

Move That Jukebox

Muito Horrorshow

Musique Indie.E.Geste

Olhômetro

Outro Olhos

Popscene

Puro Pop

Putz Caramba

Quem Pode, Poda

Rock de Índio

Rock o Matic

Sim, Viral

Tarja Preta

sábado, 1 de novembro de 2008

Podlist/Playcast #3

O tema do terceiro podcast-que-é-playlist é o festival Planeta Terra, e dessa vez resolvi fazer algo diferente: chamei amigos que gostavam das bandas para escolherem as músicas.
O Rodrigo Ortega, do Pílula Pop, escolheu "Hunting for Witches" do Bloc Party, mas é melhor não falar que ele gosta da banda depois do mico no VMB. A Fernanda Azevedo falou logo de cara "Almost Gold", música muito boa do The Jesus and Mary Chain. Cris Foxcat, DJ e dairy queen, era responsável pelo Breeders e ficou em dúvida entre "Safari" e "Shocker in Gloomtown", e escolheu a última, "que é cover do Guided by Voices e tem aquele vídeo maravilhoso, que dá vontade de a gente sair pulando!". Também na dúvida ficou o Marcelo Santiago, do Meio Desligado, que entre "Hummer" ("é mais eletrônica e animada") e "Balloons" ("é mais experimental"), decidiu por "Balloons", porque "é melhor pra quem ainda não conhece" o Foals.
E a Letícia Souki custou a escolher uma música do Spoon. Depois de cogitar por umas três (e eu já ter escolhido uma por ela), ela preferiu "I Turn My Camera On" - "fala que ela representa o disco novo, que é mais pop". OPS! Foi mal, errei. Na verdade ela queria "Don't make me a target", essa sim do disco novo, mais pop. Eu coloquei erroneamente "I Turn My Camera On", que é do Gimme Fiction. Sorry!





É aquele esquema, se quiser baixar vai na página do pOdomatic.

Como são só cinco músicas e não entrou a única banda que estou realmente empolgada para ver, o Animal Collective, vou colocar o clipe de "Peacebone" (que todo mundo já viu, mas não custa ver mais uma vez).