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sexta-feira, 19 de junho de 2009

CSS com pintos?


Anotaí: a banda do momento é o Mickey Gang. Lá na Inglaterra. Como o Ortega contou no Pílula Pop, eles ganharam uma matéria na NME, na seção Radar desta semana. O quarteto de Colatina, Espírito Santo - que não sonhava em tocar na Europa e já achava ótimo tocar numa capital brasileira - fez alguns shows recentemente na terra da rainha.
Além de chamá-los de personal trainers latinos da Madonna, a NME definiu a banda como o CSS com pintos (oi, Adriano?). Quem for ao MySpace talvez não veja a semelhança de cara, pois a primeira música é "Born in the 90's", que parece mais um The Killers cantado pelo Billie Joe. Acho que o nome diz tudo em "With love, Prince", e a semelhança com CSS fica óbvia com "We are wolves", que poderia muito bem ter sido feita pela banda paulista. "Horses can't dance" não está no MySpace, mas tem aqui.
Aos que ficam com preguiça só de ouvir a comparação, acho que vale dar uma chance à gangue do Mickey, eu me surpreendi.
Para ver a matéria da NME é só ir no Pílula Pop.

PS.: O Justin Timberlake fez um post sobre com a "cena eletrônica brasileira". Chique, né?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O fenômeno das 2 músicas ou não acredite no hype

Já tinha comentado brevemente sobre isso na resenha do MGMT, e hoje li um texto muito interessante no Wannabe a blog que também fala desse fenômeno que acontece com as bandas (hype) ultimamente, de lançarem um álbum com apenas duas músicas boas, e as outras serem terríveis. No texto, o Bernardo fala que com o advento do MP3, as pessoas passaram a baixar música por música ao invés do CD inteiro, e as bandas começaram a fazer apenas um ou outro hit (foi mal, não vou usar a palavra "petardo"). Não é a toa que o AC/DC declarou recentemente que não quer que as pessoas baixem o novo disco, porque ele precisa ser ouvido inteiro, como uma unidade, e não em faixas separadas, mas isso não vem ao caso.
É só ouvir o disco do Klaxons para entender

Mas acredito que essa não seja a única razão. Talvez a máquina do hype trabalhe mais rápido que a produção musical, e até se fazer um disco com 11 músicas decentes, a banda já se tornou obsoleta e outra já tomou seu lugar. Daí ter que se concentrar em 1 ou 2 hits e completar o CD com canções mal feitas, para ser lançado enquanto ainda existe o desejo de consumo. O que não entendo é que depois do MP3 a lógica da indústria musical foi modificada, mas os processos ainda ocorrem da maneira antiga. Por que a obrigatoriedade de se lançar CDs cheios (ou CDs por si só)? Por que não lançar apenas singles, física ou virtualmente, e tentar capitalizar com eles ou de outras maneiras mais criativas? Ou, se há mesmo a necessidade do disco físico, poderia se lançar apenas EPs, contendo de 3 a 5 músicas, com direito a uma ou duas ruins. Qualitativamente e finaceiramente, lançar vários EPs seria melhor do que criar músicas apenas para encher CD (e bandas novas ainda são novas, entende?).
A música, como quase tudo, desenvolve-se e toma consistência com o tempo. Antigamente era comum começarmos a ouvir uma banda e depois resgatar os primeiros álbuns, que costumavam ser piores e/ou menos trabalhados e mais confusos que os posteriores. Não estou demonizando o hype e idolatrando o indie velho, escuto e gosto de ambos, só quero expor uma diferença percebida entre o modus operanti (há) dos dois.
The Gossip: "Standing in the way of control". Só.

Isto me lembra uma conversa que tive sobre a quantidade enorme de bandas "legais" (ouçaagorasenãovoceéumbabacadesatualizado) que surgem, principalmente na Inglaterra, e a culpa da NME nisso tudo. A NME é um semanário musical, e tem que rechear páginas com novidades e conteúdo musical semanalmente (dã)! É um tempo muito curto para produzir conteúdo de qualidade que traga coisas novas e não seja batido pela internet. Para manter isso, resta a eles "criarem o hype", procurarem o máximo de bandas novas possíveis, detectarem promessas, tudo que possa garantir conteúdo semanal para a revista. E, infelizmente, não existe tanta banda boa assim no mundo. É uma teoria de brincadeira, mas faz sentido.
MGMT: pelo menos as ruins são melhores que as dos outros

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Jesus não me ama (mais Kings of Leon)

Depois de umas musiquinhas aqui, um videozinho ali, vazou todo o Only By The Night, do Kings of Leon. O link para baixar está aqui, disponibilizado pela querida Cris Foxcat, e para quem me pediu (oi? Flávia) algumas músicas vale clicar para conhecer um pouco. Eu ainda não ouvi porque o que baixei está perdido no meu computador, então não posso opinar.
Versão britânica da capa

Então que acabei de ganhar a edição desta semana da NME e quem estava na capa? O Kings of Leon, claro. Destaque para o bigode da matéria dentro da revista: "The brothers Followill are back in the UK with a new album, new sound and new outlook. But will Kings of Leon' s new-found maturity destroy them?". O que a NME fez foi dizer o que eu tentei no post anterior de uma maneira dez mil vezes melhor e mais organizada. A banda conta que eles não são mais os viciados em cocaína e mulheres que eram antes (lembra daquela história deles no Brasil, que o Lúcio Ribeiro adora contar?). O baterista Nathan explica que não é mais sexo, drogas e rock'n'roll. "It's like, sex, work, drugs, a little more work... and then rock'n'roll". Entendeu?
O amadurecimento da banda não se resume a trocar o pó pela bebida e gravar um disco sem brigar porque pegou aquela mulher antes do outro. Only By The Night é um disco que corre riscos, em que eles deixam a influência sulista e procuram MGMT, Radiohead e Crystal Castles. As letras, agora mais diretas, falam não só de sexo, mas de política, dos EUA, e até questionam a religiosidade dos moços - "Jesus don't love me", canta Caleb em "Cold Desert".
A enorme fala do baixista Jared é ainda mais esclarecedora: "The sound that we have now is what we've always wanted to sound like, it was just that, on those first two records, we weren't good enough to pull it off. People think that being big-sounding isn't 'cool' and you're somehow getting away from what you once were. But all the biggest bands in the world, like The Beatles ou Led Zeppelin, sounded fucking huge. We don't want to sound 'vintage' any more, we don't want to be a novelty band". Até quando uma banda tem que continuar fazendo o mesmo som?
Isso vai ser o tema do primeiro podcast temático que colocarei aqui, em breve.
Versão americana e mais sem graça

Se alguém quiser, posso escanear a matéria da NME e colocar aqui.

PS.: Não traduzi algumas partes porque achei que não ficaria tão bom, mas se alguém quiser, posso traduzir também.