Mostrando postagens com marcador entrevistas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador entrevistas. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de março de 2010

Entrevista Lucky Soul


Tinha colocado o clipe de White Russian Doll aqui e muita gente se interessou pela Lucky Soul. Eu mesma não conhecia a banda, fiquei conhecendo quando a ótima Cris Foxcat me ofereceu uma entrevista com eles, que acabou virando uma matéria para o Caderno B. Mas também coloquei a entrevista na íntegra no Wannabe a blog, quem animar dá uma passada lá para conferir.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Entrevista Mallu Magalhães

Aproveitando o gancho do lançamento do clipe e para me auto-divulgar, estou colando aqui a matéria que fiz com a menina prodígio para o Jornal do Brasil, no começo de dezembro:


Esqueça o hype, a precocidade ou qualquer outra besteira repetida inúmeras vezes pela internet. Mallu Magalhães é uma cantora, e em seu recém-lançado segundo disco ela mostra que é isso que prevalece. Após o burburinho, ela mostra que está consolidando uma carreira, independente da atenção da mídia.

– Me sinto numa posição mais profissional, como se fosse uma caminhada como artista – reflete a cantora, revelada no ano passado pelo Caderno B, agora com 17 anos. – Antes eu fazia aquilo de brincadeira, como uma aventura, não era sério. Hoje encaro como profissão, eu trabalho para isso, dedico meu dia todo para a música.

Na época do primeiro CD, Mallu recebeu propostas de várias gravadoras, mas recusou todas em prol de sua liberdade artística e lançou o disco de forma independente. Agora, Mallu Magalhães, o segundo (com o mesmo “nome” do primeiro), sai pela major Sony Music – mas a cantora garante que a gravadora não a “prendeu”.

– A Sony foi a primeira a me oferecer a possibilidade de manter a minha alma independente mas também de ter a força de uma gravadora – destaca. – O contrato também foi feito depois que o CD já estava pronto, por isso que tive total liberdade; primeiro fiz, depois negociei com a gravadora.

Quem ouvir o segundo CD vai encontrar uma Mallu que canta bem mais grave – quatro tons abaixo, para ser mais exata.

– Encontrei um jeito de cantar que não machuca minha garganta – frisa a cantora que, já no início da carreira, está com um cisto nas cordas vocais.

As mudanças do segundo para o primeiro o disco não são apenas nos vocais, mas nas referências.

– Um monte de coisa mudou, um ano se passou, tive mais experiências, tanto na vida pessoal como na profissão. Aprendi várias coisas, e acabei ouvindo outras.

A bagagem extra rendeu flertes com outros estilos além do folk e do rock, como valsa (É você que tem) e reggae (Shine yellow, a primeira música do disco a ganhar um clipe). As letras em português, que já faziam parte do repertório de Mallu mas não haviam entrado no primeiro disco, também ganharam (muito) espaço na segunda gravação: seis das 13 músicas são na língua pátria.

– Realmente me sinto mais livre, estou me permitindo mais cantar em português – diz, reconhecendo que, de alguma forma, se expõe mais assim do que com o inglês.

Wannabe Audrey

Afinal, é a vida de Mallu Magalhães que está ali, nas canções.

– Faço as letras inspirados no cotidiano, nas minhas sensações e nos acontecimentos. Mas não é só uma experiência pontual que está ali.

Em Nem fé nem santo, ela pede “que me deixem em paz”, e tem uma conversa sincera com a mãe em Make it easy. Mas é o amor que percorre a maior parte do álbum, como já revelam os títulos Soul mate, Te acho tão bonito, My home is my man, É você que tem e You ain't gonna loose me. Sinal de que o relacionamento com o hermano Marcelo Camelo vem inspirando as letras – e também influenciando nas músicas, como reconhece Mallu.

– Sempre fui muito fã dele, desde o Los Hermanos até o disco solo. A influência musical existe e também a influência pessoal, falo em relação ao namoro. Ela é diluída no disco, mas é bem perceptível.

Mas, com exceção da bossa Versinho de número um, em que a influência de Camelo parece se concentrar, e em Compromisso, que conta inclusive com assovios do cantor, Mallu continua sendo Mallu, com a voz delicada, a sinceridade e a espontaneidade que passa até pelas gravações – fato que o produtor Kassin preservou, ao mesmo tempo em que explorava backing vocals e instrumentação complexa, num CD com cara de “gente grande”. Segundo a cantora, o trabalho com Kassin foi bem diferente de gravar com Mario Caldato, produtor do primeiro disco.

– O Mario pegou um trabalho que já estava meio pronto, eu já havia tocado aquelas músicas várias vezes. O Kassin acompanhou a gente nos ensaios, estava lá desde o começo, e isso foi super legal porque ele podia ir lapidando, dando dicas, sugestões, e melhorando algumas coisas – compara.

Responsável pelas colagens que decoram o disco, e se preparando para gravar o primeiro clipe do álbum, Mallu Magalhães diz que é “uma pitaqueira” em todas as áreas de seu trabalho.

– Acho isso super importante. Me entendo como artista, que fica se expressando onde derem espaço, então fico ligada na direção de arte, na fotografia. Só não deixo de respeitar os profissionais, acho importante escutar.

No ano que vem, Mallu começa o 3º ano colegial, mas, diferente dos outros alunos, o vestibular não está em seus planos.

– A faculdade seria um complemento interessante. Quem sabe mais tarde, não tenho nenhuma pressa e também não me cobro.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Entrevista Dirty Projectors

Mais uma pro JB, saiu domingo:

Foram precisos oito discos (entre eles EPs, um só de versões do grupo hardcore setentista Black Flag e outro sob nome diferente) e várias trocas de integrantes para que o Dirty Projectors, banda americana que se apresenta hoje no Teatro Odisseia, chegasse à sonoridade alcançada em Bitte orca, último disco da banda, lançado este ano, e classificado por muitos como melhor álbum de 2009 (tirando o favoritismo, ao menos no mundo indie, do aclamado Merriweather post pavillion, do Animal Collective).

– É louco isso. Eu não tenho ideia se Bitte orca é realmente o melhor disco de 2009. Estamos fazendo essas coisas há muito tempo. É gratificante, tivemos uma resposta muito positiva. Não sei o que pensar sobre isso – diz Dave Longstreth, criador, compositor e mentor da banda (o primeiro disco, de 2002, The graceful fallen mango, foi lançado sob seu nome).

O título que deve figurar no topo das listas de melhores do ano – ao menos nas de indie rock – causa bastante estranhamento, mas Longstreth esclarece:

– Bitte orca é tipo uma frase inventada. Bitte é alemão, uma palavra para designar “por favor”, e orca é a baleia assassina. Não tem um significado, nós gostamos do jeito que soa, as duas palavras juntas.

O som do DP (as iniciais da banda fazem uma brincadeira com “double penetration”, a conhecida dupla penetração do universo pornô) não se encaixa facilmente em qualquer rótulo conhecido do supermercado musical. Uma das diversões da banda é, exatamente, subverter os rótulos mas de um jeito inovador. Experimental? Eletrônico? Indie pop? Rock de vanguarda? Todos, e nenhum, podem ser usados para definir a banda.

Ao ouvir Bitte orca é impossível não notar a importância das vozes na música do grupo Dirty Projectors. Além de Longstreth, a banda também conta com três vocalistas: Amber Coffman, Haley Dekle e Angel Deradoorian (que acaba de lançar um EP solo). Uma constante no disco são as harmonias vocais feitas pelos quatro. Não por acaso, Longstreth já chegou a dizer que a voz é seu instrumento favorito.

– Acho que isso é uma verdade para a banda agora, mas não há um favoritismo, eu gosto das coisas cada uma em seu momento, não acho que as vozes são mais especiais que as guitarras ou outros instrumentos. Mas eu gosto da voz.

Bitte orca foi lançado em várias mídias, incluindo, além do tradicional CD e do cada vez mais comum lançamento digital, versões em cassete e vinil. Para o vocalista, a sonoridade do cassete combina com a música da banda:

–Foi por isso que nós resolvemos lançar o disco assim também.

E qual a diferença ao ouvir o mesmo disco em mídias diferentes?

– Não sei, o que você acha? – retruca Longstreth.

Difícil saber, já que não só a fita cassete, como nenhuma das “versões” de Bitte orca, foi lançada no Brasil.



Os ritmos africanos, mesmo que de um jeito sutil, estão cada vez mais presentes no indie rock. Assim como o Vampire Weekend – cujo vocalista já foi membro do DP – Dave Longstreth diz que é influenciado pelos estilos musicais da África. Mas, na hora de explicar exatamente o que essa influência trouxe para a música do Dirty Projectors, Longstreth devaneia:

– Uma sensação de espaço... fora do espaço, não sei. Só densidade e espaço.

Talvez as palavras sejam mesmo piores para definir o tempero afrobeat do DP do que a audição de Cannibal resource, música que abre Bitte orca. Sobre as outras inspirações e influências na hora de compor, Longstreth também não é muito específico:

– Não sei, simplesmente faço o que eu faço, o que está na minha mente... Normalmente o que eu gosto acaba se transformando na música.

Muitos acreditam que a localização geográfica pode ser uma das influências do DP. Ou, ao menos, uma fonte de criatividade, já que a região do Brooklyn, em Nova York, está se tornando o celeiro do rock. O local é origem não só do Dirty Projectors, mas de outros nomes do gênero que vem despontando atualmente, como MGMT, Grizzly Bear e Yeasayer. O Brooklyn está se tornando a nova Seattle – a cena musical de lá já ganhou até um festival em homenagem, o Brooklyn Bridge, que aconteceu em São Paulo há duas semanas.

– Não sei se há realmente uma cena do Brooklyn. Mas é certo que muitos dos nossos amigos são pessoas de bandas daqui – diz Longstreth.

Se há uma influência que o líder do Dirty Projectors não nega é a de David Byrne. A banda gravou, no começo do ano, a música Knotty pine, em parceria com o ex-Talking Heads, para a compilação Dark was the night, que inclui mais 30 músicas inéditas de outras bandas indie.

– Ele foi muito legal. Nós amamos a obra dele, escuto desde os 10 anos de idade. É uma fonte constante de inspiração.

Seis não é demais

Inicialmente um projeto de Longstreth, o Dirty Projectors já passou por algumas modificações até chegar a formação atual, com Nat Baldwin (baixo), Brian Mcomber (bateria), Haley Dekle (vocais), Amber Coffman (vocais e guitarra) e Angel Deradoorian (teclado, guitarra, baixo e vocais). Angel entrou no lugar Susanna Waiche, que saiu após Rise above, disco de 2007 que é uma reinterpretação do álbum Damaged, do Black Flag, através das lembranças de Dave Longstreth após 15 anos sem ouvir o disco. A vocalista Haley Dekle foi a última “aquisição” da banda, que tem uma lista de 12 ex-membros. Mas foi tão difícil encontrar as pessoas certas para a banda?

– Acho que eu não tive que pensar tanto. Nós formamos uma banda consistente agora, acho que eu só queria encontrar músicos que tocassem as músicas que eu componho. A banda agora é como uma família, você pode contar com as pessoas do grupo. E você se acostuma com tanta gente na banda.

Quem espera, ansioso, a sequência do sucesso de Bitte orca, é bom saber que a banda está mais concentrada nos shows.

– Não estamos trabalhando num novo disco, acabamos de lançar o Temecula sunrise (EP que saiu em setembro).

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sonic fucking youth: entrevista com Thurston Moore

(Esse post é pra mari, que meses atrás pediu nos comentários um post sobre a volta do Sonic Youth ao Brasil)

Hoje é véspera do Planeta Terra e faz exatamente uma semana que eu conversei com Thurston Moore, realizando o sonho de 10 em cada 10 indies desse mundo. Eu tentei, mas ele não quis ser meu amigo.
Vou colar aqui a matéria que saiu no JB de domingo. Quem não tiver coragem de encarar tanto texto, adianto que o Mark Ibold continua tocando com eles, mesmo com a volta do Pavement.

***

O título do último disco, The eternal, já diz tudo. Unanimidade no rock alternativo, há 28 anos o Sonic Youth vem fazendo uma sinfonia de barulhos e experimentações que se estendem até aos instrumentos, frequentemente modificados pelos integrantes. Com o 16º disco lançado em junho, os já cinquentões se apresentam pela terceira vez no Brasil, como uma das atrações do festival Planeta Terra, que acontece dia 7 de novembro em São Paulo, e também traz outros dinossauros do rock, como Iggy & The Stooges e Primal Scream.

– Nós ainda não decidimos o repertório, mas imagino que vamos tocar nossas músicas novas, como estamos fazendo nos últimos shows, e outras músicas antigas, talvez umas duas do Daydream nation – especula Thurston Moore, guitarrista e vocalista da banda.

O último disco marca a volta da banda às gravadoras independentes: The eternal foi lançado pela Matador, depois de nove discos lançados pela Geffen. A mudança, segundo Moore, foi positiva, acrescentando que é “legal e interessante trabalhar com a Matador”.

O álbum é também o primeiro com a participação do baixista Mark Ibold, que começou a tocar com a banda em 2006, na turnê do disco Rather ripped, e agora é o quinto membro do Sonic Youth.

– É ótimo tocar com o Mark, ele é muito divertido e animado, adora conhecer as cidades a que vamos. Ele acorda às 6 da manhã e faz passeios de bicicleta ou procura lugares legais para comer. Mas não sei quais serão os planos dele em São Paulo, porque em um dia teremos ensaio, e no outro é o show, então será bem cansativo.

A anunciada volta do Pavement, antiga banda de Mark Ibold que foi um ícone nos anos 90, não significa um afastamento do baixista do Sonic Youth.

– Eles têm esses shows em 2010 que vão ter muita repercussão, mas Mark continua trabalhando com a gente – diz Moore.

Não é a primeira vez que o Sonic Youth trabalha com um quinto elemento. De 2000 a 2005, o quarteto (completado por Kim Gordon, voz, baixo e guitarra; Lee Ranaldo, guitarra e voz; e Steve Shelley, bateria) tinha a ajuda do músico Jim O'Rourke, que inclusive se apresentou com o grupo no último show no Brasil, em 2005. A mudança afeta a dinâmica e o som da banda.

– Isso permite que a Kim cante e toque mais, ancorada pelo baixo durante todo o set. Por muito tempo nós não tínhamos um baixo, um grave, quem fazia isso era o bumbo da bateria – explica Moore, já que agora Kim Gordon pode sair do baixo para tocar mais guitarra ou simplesmente cantar.

A postura indie e o som experimental do Sonic Youth fez com que muita gente estranhasse a participação recente da banda em um episódio do seriado Gossip girls, sobre jovens da elite de Manhattan. Moore diz que assiste o seriado por causa de sua filha adolescente, Coco, fruto de seu casamento com a companheira de banda Kim (os três já haviam tocado em um episódio da série Gilmore girls, em 2006).

– Eu sou muito influenciado por ela e pela cultura jovem, e gosto do seriado, acho muito engraçado na verdade. É interessante porque é um equilíbrio entre fantasia e realidade, eles têm bons atores jovens, ótimos personagens. É realmente engraçado porque eu cresci em Nova York e eu vejo os personagens indo do Brooklyn ao Upper East Side duas, três vezes ao dia. Eu não sei como eles fazem isso, é como se tivessem um tapete mágico – brinca Moore.

No episódio, Kim Gordon celebra o casamento de dois personagens da série, e a banda toca na cerimônia uma versão acústica de Star power, música feita em 1986, quando muitos dos fãs da série ainda nem eram nascidos. A banda aproveitou a aparição para lançar um single com a versão inédita da música, e também colocou à venda uma camiseta e um pôster de tiragem limitada de Star power. Mais lançamentos como este ainda não estão nos planos da banda.

– Talvez nós faremos mais coisas desse tipo. Fizemos muitos shows durante o verão e temos mais shows no inverno (do Hemisfério Norte), e após a turnê de The eternal irei focar no meu disco solo e numa editora de livros que estou criando.

O disco solo será o quarto de Moore; ele diz que está em processo de composição. Já a editora será lançada no ano que vem e vai se chamar Ecstatic Peace, mesmo nome do selo criado pelo guitarrista. O foco serão livros de arte.

– Sempre estive envolvido com isso, fazendo zines e publicações como um zine chamado Killer, que eu ainda faço. Também editei alguns livros em editoras maiores, e um dia me perguntaram se eu não gostaria de distribuir livros de arte. Claro que aceitei. Sempre estive muito envolvido com literatura, tanto quanto com a música.

Não só Moore passeia pelas letras, como também Lee Ranaldo, que já tem livros de poesia publicados. Kim Gordon também tem trabalhos extra-musicais, já tendo exibido e publicado alguns de seus trabalhos em artes plásticas, e pode ser uma das autoras com livros lançados pela Ecstatic Peace.

A participação mais recente de Moore no mundo dos livros foi em Grunge, obra que reúne fotos de Michael Lavine em torno de bandas e frequentadores da cena de Seattle. O guitarrista do Sonic Youth ficou responsável pelo prefácio e ganhou o nome na capa. Mas ele não acredita que exista um revival do grunge.

– Muitas pessoas estão sendo inspiradas pelo som das bandas daquela época, mas eu não acho que o grunge esteja voltando. As bandas novas podem fazer um som mais direto, como o Nirvana e Screaming Trees, mas não é uma volta. É como o punk rock, há sempre uma inspiração.

Completando quase três décadas de banda e ainda mantendo frescor e vitalidade nas composições – o último disco obteve uma das melhores posições que o grupo já teve nas paradas americanos – o Sonic Youth não acha que se reinventa a cada álbum.

– Não acho que exista essa necessidade de ter que se reinventar. O que nós fazemos é a expressão de um momento. Não sentimos esse tipo de pressão.

sábado, 19 de setembro de 2009

Sebastien Tellier só pensa naquilo

Enquanto não vem o posto digno sobre a volta do Pavement e outros que estão nos meus planos (mari, sobre o show do Sonic Youth, acho que vou fazer um post sobre o Planeta Terra), vou colar aqui a matéria que fiz para o JB de hoje sobre o show do Sebastien Tellier no Rio + Invasão Sueca. Confere aí o francês tarado:

Sébastien Tellier costuma dizer que cria música para excitar as pessoas. O excêntrico cantor e compositor francês, que, não por coincidência, deu o nome Sexuality ao seu último disco, lançado em 2008, se apresenta sábado no Circo Voador e faz planos ousados para a estadia na cidade.

– Gostaria de tocar numa praia do Rio com todo mundo fazendo sexo durante o show – ironiza Tellier, que interrompeu o ensaio de seu show em São Paulo, na quinta-feira, para conversar com o Jornal do Brasil. – Os shows aqui são muito importantes para mim, quero que esta turnê seja tão boa quanto possível.

Para sua passagem pelo país, que também incluiu um show sexta-feira no festival Coquetel Molotov, no Recife, o cantor, que toca ao lado de uma banda de Los Angeles, previu dias de muito calor.

– Adaptei minhas músicas para a energia das performances ao vivo. Vamos tentar elevar a temperatura dos palcos – promete Tellier.

O francês diz que suas músicas exploram o “conceito latino de sensualidade”. Questionado se acha que irá aprender mais sobre o assunto na passagem pelo Brasil, no entanto, Tellier não demonstra muito interesse.

– As brasileiras são conhecidas por serem muito sensuais, mas como estou apaixonado por uma garota, todas as outras mulheres são como homens para mim – garante.

Ele parece mais interessado na música brasileira. Conta que acabou de descobrir Tim Maia, o que foi “uma revelação:

– Gosto do calor da música brasileira em geral.

Roupas de ginástica femininas

Parte da fama libidinosa veio do single Sexual sportswear, em que revela sua fantasia com as roupas de ginástica femininas. Mas o cantor faz questão de mostrar que seu disco não trata do assunto de maneira vulgar, mas com naturalidade.

– Sexuality foi uma oportunidade de mostrar meu amor pelo prazer. A mensagem é que você tem que ser um cavalheiro, o que é o oposto da vulgaridade.

Sébastien Tellier começou a carreira com o álbum L'incroyable Verité (2001), que ganhou visibilidade após uma turnê abrindo os shows da banda francesa Air. A faixa Fantino entrou na trilha sonora do filme Encontros e desencontros (2003), de Sofia Coppola. Ele também foi responsável pelas músicas de cena de Narco, longa francês lançado em 2004.

Ele já chegou a definir sua música como “r&b intelectual”, numa tentativa de distanciar seu som mais eletrônico do r&b americano de cantores como Beyoncé e Justin Timberlake. Sexuality foi produzido por Guy-Manuel de Homem-Christo, que faz parte da também francesa Daft Punk.

– Ele trabalha de forma muito doce e tranquilizadora. Não precisávamos nem conversar, nós nos entendemos perfeitamente – conta o cantor, que esmiuça seu peculiar processo de composição: – Eu acordo, vou para o meu piano e toco de olhos fechados até escutar uma boa harmonia.

Suecos 'invadem' com o apoio da França

A passagem de Sébastien Tellier por Recife será acompanhada de outros sotaques. A Invasão Sueca, projeto que todos os anos traz novos nomes do país ao Brasil, vai dividir o palco do Coquetel Molotov com o francês – que tem como companheiros de turnê os conterrâneos Zombie Zombie e François Virot, todos trazidos com o apoio do Ano da França no Brasil.

Those Dancing Days, Britta Persson e Loney, Dear são os nomes selecionados para representar a Suécia, país que conhecido como celeiro de bandas pop e indie de qualidade.

– Parece que os suecos têm muita criatividade, e se sentem confiantes com essa característica – diz Emil Svanängen, mais conhecido pelo nome Loney, Dear, sob o qual se apresenta. – É financeiramente possível, você não tem que se preocupar tanto.

Svanängen se refere ao apoio dado pelo governo sueco às bandas, que acontece “num nível mais alto” que nos outros países.

Com apoio do Swedish Institute, a Invasão Sueca já está no quarto ano de atividade. Nesta edição, abrange várias vertentes do pop: o grupo de cinco meninas Those Dancing Days faz música doce e dançante; a cantora Britta Persson é mais calma e romântica; e o multiinstrumentista Loney, Dear explora mais os recursos eletrônicos.

Além de divulgar a música sueca por aqui, os shows também servem para ampliar o repertório brasileiro das bandas convidadas.

– Ainda não ouvi muita coisa. É claro que conheço o CSS, por causa do remix que fizeram da minha música (The city, the airport, do disco Sologne). E também o ministro-cantor – conta, referindo-se ao agora ex-dono da pasta da Cultura Gilberto Gil.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O clichê indie

Li uma coisa hoje na TramaVirtual que me lembrou aquela camiseta (tem que clicar). É um trecho do Impressão Digital com o Denis Fujito, da banda Homiepie. Colo aqui:


Banda mais legal hoje

Little Knock Knock. Ouvi rumores sobre uma nova banda do litoral norte de SP. A banda é meio conceitual e não circula suas músicas pela internet. Ou você já ouviu ao vivo ou nunca ouviu nada. Eles têm influência da música negra, um quê de Fat Family, misturam isso com o que de mais moderno houve no Brasil recentemente, uma familiar pitada de CSS, e fazem algo muito arejado. Pela foto, eu acho que eles são irmãos, mas não são obesos, ainda.


Nesse caso, é a própria banda que parece fazer questão de que seus fãs sejam únicos, no sentido literal da palavra. É claro que é o conceito deles, e não uma relação direta com a "camiseta". É curioso uma banda ir na contramão da ampla e livre disseminação da cultura pela internet, me faz pensar em várias coisas.
Essa coisa de indie fazer questão de conhecer bandas que nenhuma outra pessoa conhece dá muita discussão, e eu deixo para quem quiser fazê-la nos comentários.



PS.: Para evitar quaisquer interpretações erradas, explicito que isto não é uma crítica ao Denis, à Homiepie, à TramaVirtual, ao Little Knock Knock, às pessoas que matam bandas e a qualquer um que pense que este foi um post ofensivo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Beirut e Capitu - Globo indie (parte 2)

Atualizando o post que escrevi sobre Beirut e Capitu, reproduzo aqui uma entrevista feita pela Folha com o Zach Condom, em que ele comenta sobre "Elephant Gun" na série, Brasil e suas aulas de português, e o novo disco, que na verdade são dois EPs.

Folha Online - A música "Elephant Gun", tema da minissérie "Capitu", fez com o que o grande público no Brasil conhecesse e se interessasse pelo som de sua banda. Muitos acessaram o vídeo da música no YouTube, outros diretamente no MySpace. Como você encara essa boa recepção do ouvinte brasileiro?

Zach Condon - Eu fico muito lisonjeado e feliz com tudo isso. Muitos amigos que já moraram no Brasil e na Argentina me disseram que minha música poderia ser popular por aí, mas nunca acreditei neles. Não sei ao certo qual o cenário musical brasileiro hoje em dia para saber se minha música pode ou não se encaixar no gosto das pessoas. E olha, faz muito tempo que quero ir ao Brasil.

Folha Online - Você pôde acompanhar a minissérie de algum modo? Conhece a obra de Machado de Assis?

Zach - Infelizmente não, mas pretendo conhecer Machado mais a fundo assim que tudo referente à turnê de lançamento do novo trabalho do Beirut se resolver. Da série, eu me lembro de alguns fãs comentando coisas boas a respeito já faz um tempo. Tirando isso, pelo site oficial e por alguns vídeos no YouTube, fiquei bem entusiasmado com o que vi. Foi uma surpresa. Uma boa surpresa.

Folha Online - Em relação a esse novo trabalho, quando deve sair? E qual será sua sonoridade?

Zach - O lançamento será em meados de fevereiro. Trata-se de um EP duplo na verdade, um pouco diferente dos trabalhos anteriores do Beirut. Cheguei até a considerar dar um novo nome à banda, mas isso prejudicaria um alcance maior de minha música, tenho consciência disso. O que não faria sentido algum.

O primeiro EP, chamado "March of the Zapotec", terá gravações que fiz com uma banda só de metais, para casamentos e funerais. Gravamos em uma pequena cidade do México, perto de Oaxaca. Fiquei lá por duas semanas e, então quando voltei ao Brooklyn, em Nova York, gravei os vocais. É um álbum marcado por uma percussão bem pesada e por metais.

Já o segundo EP, "Holland", tem uma cara mais eletrônica. Sempre trabalhei com sintetizadores, desde muito jovem, mas nunca senti necessidade de lançar nada nesse sentido. Até por algum tempo, compus muita música eletrônica como uma maneira de limpar a minha mente, depois de um projeto acústico em que me envolvi intensamente. Foi quando alguns amigos me convenceram a lançar esse material, me disseram que as pessoas deveriam ouvir, e eu aceitei o desafio. O que eu fiz foi juntar algumas composições novas com as minhas antigas preferidas.

Folha Online - Recentemente você cantava algumas músicas brasileiras em seus shows, como "Leãozinho", de Caetano Veloso. Qual o seu interesse na música brasileira e o quanto ela te influencia?

Zach - A Tropicália ainda é muito cultuada por aqui, sempre foi. E eu, claro, sou um fã. Na faculdade, eu assistia a aulas de português, simplesmente porque tinha muita vontade de cantar nessa língua. Claro que jamais fui capaz de escrever algo em português, mas me ajudou muito nas minhas canções prediletas do Caetano Veloso e do Gilberto Gil. Mas também conheço o Bonde do Rolê, por exemplo, que considero algo bem moderno.

Cheguei a dançar no palco com eles em um de seus shows, e depois mantivemos um breve contato via e-mail. Quem dera o meu português fosse tão bom quanto é o meu francês, por exemplo.

Folha Online - Seu álbum de estréia, "Gulag Orkestar" tem influência da sonoridade dos Bálcãs; já "The Flying Club Cup", seu segundo álbum, foi inspirado na música francesa. E agora você diz que os novos EPs terão influência da música mexicana e eletrônica. Isso parte de uma experimentação com novos sons, novas culturas. Como é esse processo criativo?

Zach - Eu nunca penso em nada muito específico para determinado álbum, ou em um estilo de música, ou uma cultura. Sempre tem mais a ver com uma certa obsessão que tenho por qualquer estilo de música que eu possa estar ouvindo naquele momento. Por exemplo, no primeiro álbum, eu estava imerso na cultura do leste europeu, ouvindo muita música dali, então foi natural que eu compusesse algo nesse sentido.

Folha Online - Nesse ano, tivemos alguns rumores de que o Beirut tocaria no Brasil, algo que não se concretizou.

Zach - É verdade, me lembro de alguns contatos iniciais, mas ficou nisso. Como disse antes, faz muito tempo que quero ir ao Brasil, quem sabe agora em 2009.

Folha Online - Quais são suas principais influências, sejam elas musicais ou não?

Zach - Muitas de minhas letras são inspiradas na literatura latino-americana de Jorge Luis Borges e de Gabriel García Márquez. De uns tempos para cá, tenho lido muito o chileno Roberto Bolaño. Além disso, o cinema francês sempre me influenciou demais. Isso para não mencionar Coney Island [bairro mais ao sul do Brooklyn, em Nova York] no inverno, os judeus hassídicos que vivem em meu bairro e outros aspectos da vida em Nova York.

Beirut e Indieoteca ♥ Gabo

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Curtas

Eu e meu recente caso de amor com o Trabalho Sujo.

Parece que o meu Festival dos Sonhos está virando realidade. O Of Montreal vai tocar no Brasil em maio, num festival com Silver Jews e Born Ruffians! Nada confirmado, mas com Wilco, Sonic Youth, Radiohead, Little Joy e agora esse suposto festival, 2009 promete!

Não sou só eu que ainda estou meio tonta e tentando entender a entrevista da Mallu Magalhães para a Época. Minhas suspeitas de que ela usa drogas estão se confirmando. Sair para dançar dentro de você mesma (e fora não, mas é legal), fugir com o circo, ser um adulto-criança-adulto-triste-feliz... Pelo menos uma parte foi esclarecedora: jornalista é aquele que, para entrar em contato com seus ídolos, foge com o circo e entrevista as pessoas no caminho. Ah bom...

Venho reparando que os artistas (jovens, tipo Júnior e Mallu), ficam dizendo que ouvem música na internet mas não baixam, pois quando gostam da banda compram o CD. Papo de gravadora, não?